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ROMA
- O Moisés
de Michelangelo (1475-1564), uma das esculturas mais famosas do mundo,
já exibe sua verdadeira face após um longo trabalho de restauração. Ela
está pronta para servir de protagonista ao documentário que o cineasta
italiano Michelangelo Antonioni se dispõe a fazer sobre essa admirada
figura.
No
início da primavera de 2001 (hemisfério norte) começou a restauração do
Moisés, a peça mais famosa do que devia ser o mausoléu do Papa Julio II,
instalado na Basílica de São Pedro, em Roma.
O
monumento funerário desse pontífice foi um projeto que ocupou
Michelangelo durante 40 anos, porque o artista continuamente o deixava
de lado para atender a numerosos compromissos em outras regiões. Moisés
ficou inacabado em relação a seu ambicioso projeto inicial.
Ainda
assim a obra é considerada magnífica. Representa Moisés, sentado, com
rosto irado e as tábuas da lei em sua mão direita. A peça atrai centenas
de turistas diariamente.
Apesar
dos andaimes ainda instalados durante os trabalhos de recuperação, que
duraram quase dois anos e meio, o complexo escultural pôde ser admirado
ao longo desse tempo pelos visitantes.
A
escultura do profeta foi deslocada para a frente descobrindo suas
costas, anteriormente juntas à parede, e todo o conjunto foi limpo. O
trabalho, que custou 1,5 milhão de euros, foi custeado por uma empresa
de loterias.
O
movimento da escultura permitiu, além disso, trazer à luz uma
dependência destinada à música que estava escondida por atrás do
mausoléu, a chamada Schola Cantorum, que em 1706 foi fechada e depois
usada como armazém.
Antonio
Forcellino dirigiu o grupo de restauradores que ''lavou a cara'' da
escultura. Mas ainda resta concluir a recuperação da Schola Cantorum.
Estão
previstas modificações na iluminação do Moisés, que antes da restauração
podia ser melhor apreciado graças a uma lâmpada acendida com moedas por
um pequeno lapso de tempo. A lâmpada procurava suprir as diferentes
intervenções arquitetônicas realizadas ao longo dos séculos que acabaram
com a luz natural vinda originalmente de uma capela lateral.
Agora
se reabriu uma janela à esquerda da obra, mas falta uma à direita, que
deveria iluminar melhor o rosto de Moisés ou pelo menos produzir um
efeito de luz natural.
Os
visitantes da Basílica de São Pedro devem checar bem os horários de
funcionamento da igreja nestas próximas semanas, já que até meados do
mês o templo só deve abrir pelas manhãs, porque à tarde estará reservado
para outro Michelangelo, o nonagenário Antonioni, que se porá outra vez
atrás da câmera.
O
objetivo é a filmagem de um documentário, que levará como título O olhar
de Michelangelo, para mostrar a perfeição estilística do mausoléu de
Julio II, mas também refletir sobre a riqueza cultural do Renascimento
italiano. Apesar de ter perdido a voz após um derrame, o diretor de A
noite (1960) e Blow up (1967) está de volta à ativa. (EFE)
(© JB Online)
Acompanhe ao vivo os trabalhos de
restauração do Moisés
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