ItaliaOggi

                     Publicidade

 

Ministro italiano: ‘Foi como rever o WTC’

Ministro Antonio Martino no Iraque. Foto: Zohra Bensemra/ Reuters
Ministro Antonio Martino no Iraque. Foto: Zohra Bensemra/ Reuters

Para titular da Defesa em visita à base italiana atacada, terroristas são os mesmos que agiram em NY

   NASSÍRIA, Iraque – O ministro da Defesa italiano, Antonio Martino, visitou ontem a base militar atacada na véspera em Nassíria. Com a morte de vários feridos, o número de mortos no atentado subiu ontem para 19 italianos e 13 iraquianos. Entre os cidadãos da Itália mortos, 15 eram militares. Desde o fim da 2.ª Guerra, a Itália não sofria uma baixa militar tão pesada. “Foi como ver de novo o Ponto Zero”, disse Martino, referindo- se ao local onde se erguiam as torres do World Trade Center, em Nova York, destruídas pelos atentados de 11 de setembro de 2001. “Os terroristas são os mesmos.”

   O primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi – fortemente criticado desde que decidiu enviar tropas para integrar a coalizão liderada pelos EUA –, recebeu ontem um telefonema do presidente americano, George W. Bush, que transmitiu os pêsames às famílias das vítimas do atentado. Pouco depois, Bush recebeu na Casa Branca o presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi. “Não daremos trégua aos autores desse ato hediondo, pois a luta contra o terrorismo é uma prioridade para todos os povos”, disse Ciampi, cuja visita a Washington já estava programada desde antes do atentado em Nassíria.

   Após o choque com a notícia da explosão do caminhão-bomba na quarta-feira, a Itália viveu ontem mais um dia de luto, com bandeiras a meio-pau em homenagem aos mortos, enquanto se previa para terça-feira o enterro das vítimas do atentado – que devem receber todas as honras póstumas conferidas pelo Estado. Mais de 60% dos italianos se opunham à guerra contra o Iraque. Após o ataque em Nassíria, alguns membros da oposição já exigiam o imediato retorno dos cerca de 2.800 soldados.

   França – “Todos os dias a espiral de violência no Iraque mata americanos, britânicos, poloneses, espanhóis e italianos”, disse, por seu lado, o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin. “Quantas mortes teremos de ver ainda para entender que é n e c e s s á r i o que mudemos nossa abordagem (com os iraquianos)?” “Estamos prontos para todas as reuniões e todas as discussões”, prosseguiu Villepin. “Queremos estender a mão para os americanos e contribuir para o desenvolvimento do Iraque.”

   A oposição da França a um ataque dos EUA ao Iraque causou mal-estar nas relações entre Paris e Washington. Também ontem, Bush deixou claro que não se intimidará com manifestações contrárias à guerra. Ante a possibilidade de enfrentar manifestantes durante a visita que fará à Grã-Bretanha na quinta-feira, Bush declarou: “Tenho um grande prazer em visitar um país no qual as pessoas são livres para se manifestar.” (Reuters, Associated Press e France Presse)


A Itália chora e o sentimento antiguerra ferve

Nação fica chocada com o ataque mais mortífero contra suas forças desde a 2.ª Guerra

 ROMA– Italianos, chocados, depositavam flores no quartel-general dos carabinieri, na quarta-feira, enquanto a nação, atordoada, lamentava o ataque mais mortal contra suas forças desde a 2.ª Guerra. Porém, embora a Itália tenha se unido na dor, sentimentos antiguerra que haviam tomado o país antes da invasão do Iraque ressurgiram, com pedidos de que as forças italianas sejam retiradas.

A tevê interrompeu a programação para transmitir extensos boletins sobre a grande explosão em Nassíria. Os locutores eram incapazes de esconder a emoção. As pessoas se amontoaram ao redor de televisores em bares e cafés para ouvir os nomes dos mortos, anunciados sobre o pano de fundo da fumaça da bomba. A seleção italiana de futebol fez um minuto de silêncio antes do amistoso com a Polônia, em Varsóvia.

Parentes e amigos apareceram chorando na tevê. Carmela, uma mulher de meia-idade que prestava homenagem diante de um monumento aos carabinieri, afirmou: “Estou pensando nelas, as mães desses garotos. Estamos apenas tentando ajudar o povo do Iraque, mas veja o preço que estamos pagando.” Os italianos acostumaram-se ao envio de tropas do país a situações de risco, mas, até quarta- feira, as mortes eram contadas com um só algarismo, à exceção de um incidente na Somália em 1992, quando 11 italianos morreram. (The Times)


A CARTA DO SARGENTO

A vida no acampamento é perfeita

 Dois meses antes de ser morto no ataque suicida de Nassíria, o sargentoAlfio Ragazzi, de 39 anos, enviou carta à família, descrevendo a vida dos soldados italianos no Iraque. A carta foi publicada ontem pelo jornal Corriere della Sera.

Alguns trechos: “Querida família, Dois meses se passaram desde que deixei nosso país ... Sinto que vocês pensam em mim e a vovó ora por mim. As coisas aqui estão OK... Recebemos comunicados sobre ataques terroristas que ocorrem no norte, e, às vezes, também entramos em alerta. Mas a verdade é que nós, italianos, com nossa política ‘futebol e espaguete’, conseguimos ganhar rapidamente todo mundo ... Mas as crianças, em particular, ficam loucas quando vislumbram nossos veículos azuis. Correm atrás e gritam ‘mister, water’ ou ‘mister, food’ – hoje, nossas marcas registradas. Na prática, meu pelotão e eu lançamos uma campanha humanitária ... Quando deixamos Nassíria para cumprir alguma missão, percorremos vilarejos isolados que, muitas vezes, parecem ter parado no tempo dos sumérios. Ao contrário do mundo lá fora, a vida no acampamento italiano é perfeita: muito macarrão e muita água ... Em síntese, o tempo está passando e logo nos veremos de novo. Acho que vocês não precisam se preocupar tanto. Um grande abraço e verei vocês em breve. Do seu, Alfio.”

 (© O Estado de S. Paulo)

Veja fotos do atentado (Corriere della Sera)

Cartas ao front - Escreva aos soldados (Corriere della Sera)

Para saber mais sobre:

ital_rosasuper.gif (105 bytes)
Escolha o Canal (Cambia Canali):
 
 

Rádio ItaliaOggi

 

 

© ItaliaOggi.com.br 1999-2003

O copyright pertence aos órgãos de imprensa citados ao final da notícia