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A outra Maria Callas

Maria Callas nunca filmou Carmen, como Zeffirelli conta, colocando Fanny Ardant (acima) no papel da cantora

Maria Callas nunca filmou Carmen, como Zeffirelli conta, colocando Fanny Ardant  (acima) no papel da cantora

Filme de Zeffirelli inventa uma história para homenagear a maior diva da ópera no século XX

FEDERICO MENGOZZI

   Callas Forever é uma homenagem do cineasta italiano Franco Zeffirelli à soprano greco-americana Maria Callas (1923-1977). Zeffirelli dirigiu-a em diversas óperas, entre as quais alguns de seus sucessos, como Tosca, de Puccini. Poderia fazer um filme-homenagem com um pé nas costas, mas preferiu a alternativa mais difícil. Aos 79 anos, com uma carreira que contabiliza algumas das melhores adaptações de Shakespeare, como A Megera Domada e Romeu e Julieta, correu o risco de errar. Houve, porém, mais acertos que erros (o romance gay, gratuito, está nessa categoria). Não se pode acusá-lo de acomodado. Ao homenagear a diva, o maior nome feminino da arte lírica no século XX, Zeffirelli não se rendeu à realidade - tão fácil para quem a conheceu. Vai pelo caminho oposto e inventa uma história para Maria Callas.

   Um empresário inglês, Larry Kelly (Jeremy Irons), que no passado organizou turnês para Maria Callas (Fanny Ardant, excepcional), é informado de que a diva se enclausurou em seu apartamento de Paris. La Callas já não tem motivos para viver, perdeu seu amor (na vida real, o milionário grego Aristóteles Onassis, que aparece num porta-retratos - Zeffirelli de óculos escuros) e sua voz. Kelly e uma amiga comum, a jornalista Sarah Keller (Joan Plowright), resolvem intervir e, após marchas e contramarchas, conseguem que a cantora se interesse por um projeto que se vale da tecnologia para superar os problemas de voz. Ela concorda em filmar uma versão de Carmen, de Bizet, emprestando sua imagem, à qual seria agregada uma gravação completa da ópera que fez quando estava no apogeu. A princípio, recupera a razão de viver, mas depois, honesta em relação à arte, recusa-se a continuar o que chama de fraude. Se non è vero, è ben trovato.

   Zeffirelli não é um dos revolucionários do cinema. No entanto, é difícil negar que inovou algumas vezes, como nas adaptações shakespearianas e nas filmagens de óperas. Callas Forever, como quem nada quer, também inova, ao negar a realidade que foi - Maria Callas morreu afastada do mundo lírico, aos 53 anos - e inventar a realidade que poderia ter sido. Ao homenagear a amiga ('Fiquei extremamente triste quando ela nos deixou e eu não tinha a menor intenção de remoer os detalhes sórdidos de sua vida', disse o diretor), Zeffirelli também empreende uma boa discussão sobre arte e realidade. Ao perceber, na filmagem ficcional de Carmen, o tamanho da encrenca conceitual em que se metera, La Callas diz que aquilo é uma fraude. Mas Sarah rebate, ao afirmar que antes, nas óperas que a celebrizaram, das roupas às emoções, tudo também era fraude.

   Em arte, moral da história, tudo é fraude. Isto é, tudo é vida.

CALLAS FOREVER
Idem, 2002
Direção
Franco Zeffirelli
Com
Fanny Ardant, Jeremy Irons, Joan Plowright, Jay Rodan, Gabriel Garko
Lançamento
no dia 14, em São Paulo e Rio

» Site oficial do filme Callas Forever  
» Site oficial do filme Callas Forever (em português)  

 (© Revista Época)

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