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Fecundação assistida: Itália aprova lei restritiva

O controvertido médico Severino Antinori

   ROMA - O Parlamento italiano aprovou ontem, com o apoio dos católicos da oposição, uma lei sobre fecundação assistida considerada muito restritiva, que proíbe as doações de sêmen alheias ao casal e as pesquisas com embriões.

   Com 169 votos a favor, 92 contra e cinco abstenções, o Senado abriu caminho para a lei, que tem apenas que passar pela Câmara dos Deputados para ser aprovada.

   A maioria governista votou unida, depois do ''chamado a ordem'' feito aos senadores laicos, que, durante as votações secretas dos artigos, se alinharam com seus correligionários da oposição, a ponto de propiciar um equilíbrio de forças.

   Alguns parlamentares da conservadora Casa das Liberdades, liderada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi reconheceram que foram pressionados por ''um altíssimo representante do episcopado'', segundo a edição de ontem do jornal Corriere della Sera.

   Os senadores católicos da oposição do grupo democrata-cristão La Margarita, encabeçado por Francesco Rutelli, mantiveram o voto a favor da lei, o que gerou grande conflito com os companheiros de partido próximos ao presidente da Comissão Européia, Romano Prodi.

   A lei aprovada pelo Parlamento italiano proíbe o uso do sêmen doado por uma terceira pessoa alheia ao casal, o que impede que casais estéreis, solteiros e homossexuais recorram à técnica.

   Os médicos que não seguirem a lei serão punidos com multas que vão variar de 300 mil a 600 mil euros ou com a suspensão de suas funções profissionais pelo período de um a três anos.

   A nova disposição também veta a pesquisa com embriões, ao mesmo tempo que limita a fecundação in vitro deles a apenas três, que terão que ser todos implantados, já que fica impedido seu descarte ou seu congelamento.

   Vários líderes da oposição, como o verde Alfonso Pecoraro Scanio, qualificaram a lei como ''medieval'' e ''obscurantista''. Já o ministro das Relações com o Parlamento, Carlo Giovanardi, a defendeu com o argumento de que é ''antinazista, uma vez que não é possível, como concebia Hitler, a raça perfeita''.

   Diversos setores lançaram a idéia de um referendo para derrubar a lei, enquanto diversos grupos de médicos e cientistas anunciaram que apresentarão um recurso de inconstitucionalidade.

   Paralelamente, alguns católicos da maioria governista aproveitaram a polêmica tramitação do projeto de fecundação assistida para propor uma revisão na atual lei que regula o aborto na Itália.

   - Esta lei diz ''basta!'' aos abusos e reconhece que um embrião é uma pessoa e, como tal, tem que ser protegida desde o ponto da concepção - disse Elisabetta Alberti Casellati, senadora do Partido Força Itália, de Berlusconi.

   Grande parte da população da Itália, onde vive o controvertido médico Severino Antinori - que ajudou uma mulher de 62 anos engravidar com um óvulo doado -, considera das novas determinações necessárias.

(© JB Online)
 

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